27 de julho de 2011

E a Saga continua em Filme - 12º e 13º capítulos

Espero que gostem!
Estes capítulos têm muita ação!




Capítulo 12

-Sou eu! – exclamou o Taylor e eu abri-lhe a porta.
-Oi – sussurrei e puxando-o para dentro do quarto e dei-lhe um beijo muuuito demorado.
-Bem, se for assim todas as manhãs, não vou conseguir sobreviver contigo naqueles três dias que vais estar ausente! – exclamou ele.
-Vamos? – perguntei-lhe pegando na minha mala.
-Sim, claro. A Jane está à nossa espera.
Descemos até à recepção e fomos logo para o estúdio, sendo que iríamos tomar o pequeno-almoço lá.
-Está tudo bem? – perguntou a Jane. – Já percebi que as coisas entre ti e o teu pai não são muito boas.
-Obrigada pela tua preocupação, Jane. Posso pedir-te um favor? – continuei sem a deixar responder. – Não deixes o meu pai nem o amigo dele virem para o estúdio. Peço-te por tudo, não o faças.
-Está tudo bem. Eu mantenho-os há distância.
-Obrigada – agradeci saindo do carro.
-Sempre às ordens.
Fomos os dois calmamente para a cafetaria. Pedimos os dois um café e um croissant com queijo e fiambre para cada um de nós. Depois, fomos juntar-nos com alguns amigos e colegas nossos que lá se encontravam.
-Bom dia! Muito animados, vocês! – notou a Ashley.
-O dia está lindo, os pássaros cantam – comecei.
-E estamos apaixonados – murmurou o Taylor.
A Ash soltou um gritinho e acho que a Kristen e o Jackson (que estavam ao lado dela) quase ficaram sem tímpanos.
-Vocês andam? – questionou a Ash muito baixinho. Eu e Taylor limitámo-nos a acenar com a cabeça.
-Não acredito! Isso é demais! – falou ela. – Agora todos os casais já estão juntos. Pelo menos no que conta aos Cullen.
-Tem lá calma, Ash – disse o Taylor. – Não é para andares a espalhar pelos sete ventos que nós andamos.
-Tudo bem – disse ela levantando dois dedos formando um V. – Palavra de escuteira.
Revirei os olhos e comecei a comer lentamente. Entretanto, apareceu o Chris.
-Maria, vais na Quarta para o Brasil, certo? – perguntou ele e eu acenei com a cabeça. – A Summit já te marcou a viagem e voltas no Sábado de manhã. A Jane entrega-te os bilhetes logo à noite, pode ser?
-Claro – concordei. – Obrigada por me teres avisado.
-De nada. E têm três minutos para se prepararem. Espero bem que tenham estudado as falas e hoje não haja erros.
A última parte foi dirigida especialmente para mim e eu voltei a acenar com a cabeça.
-Já marquei o restaurante para hoje à noite – avisou o Michael Sheen. – Maria, também estás convidada.
-Obrigada Michael, mas eu hoje estava a pensar em jantar no hotel porque preciso de estudar.
-Oh, é uma pena, mas eu compreendo-te; os estudos em primeiro lugar. Bom estudo – desejou-me ele. – E então, para além da Maria, mais alguém não vai?
-Eu passo, Michael – disse o Taylor. – Estou a pensar em descansar um pouco.
-OK. Tudo bem. Mais alguém? – olhou para todos e como mais ninguém se pronunciou ele continuou: - Então encontramo-nos no ponto de encontro. Até logo.
Ele afastou-se e fui meter o tabuleiro no carrinho. Fui para o estúdio e hoje as gravações prometiam: a primeira cena que gravámos foi o início do filme, era do tempo em que a Nessie e o Jacob ainda eram amigos e estavam os dois a conversar sobre amor. Passámos a manhã toda naquilo e depois fomos almoçar. Depois do almoço, gravámos a cena em que o Jacob entra no quarto da Nessie e o Edward aparece e repreende os dois (especialmente o Jacob). A terceira cena (e a última) foi a Bella e a Rosalie a falarem com a Nessie sobre o namoro do Jacob e dela. Foi uma cena muito emotiva e, como dizia o guião, eu chorei, mas neste caso, eu chorei porque aquela cena foi tão… emocionante que eu (Malu) chorei mesmo.
Depois de me terem desmaquilhado, fui andando para o parque de estacionamento do estúdio com alguns amigos deles (e sim, o Taylor estava lá). No entanto, eu não esperava encontrar aquele carro. Não era o jipe preto e discreto da Jane. Ao fundo avistei a Jane a chegar a alta velocidade, mas era tarde demais.
-Pai?
-Olá Maria Luísa.
A voz dele era fria e cortante como um iceberg que habita no Árctico. Arrepiei-me apesar de não estar frio e o vento não existir. Eu temia o meu pai, sabia disso. Sabia que todas as vezes que jogava ao ataque era para me defender, porque ele tinha feito muito mal a mim e à minha mãe.
-Trouxeste o Jorge – observei eu, vendo-o a sair do carro.
-Sim – afirmou ele. – Vamos lanchar os três juntos?
Dei um passo atrás e o Taylor tocou-me nas costas e o elenco aproximou-se mais de mim.
-Quem é? – perguntou a Nikki que estava ao meu lado.
-O pai da Maria e o … Jorge – respondeu o Taylor por mim. – Não confiem neles. Não são boas pessoas.
-Vá lá – continuou o meu pai. – Já acabaste o trabalho e tudo.
Deu um passo à frente, mas desta vez a mão do Taylor não me deixou recuar e, de um certo modo, ainda bem.
-Não – respondi-lhe. – Estou cansada e vou descansar.
-Óptimo, eu levo-te ao hotel.
-Não é preciso senhor Fortes – interveio a Jane. – Eu mesma encarrego-me disso.
-Mas eu sou pai dela – teimou o meu pai.
-E a Jane tem como função proteger-me dos paparazzi. Sendo que o pai nem me  consegue proteger de um violador, duvido que consiga fazer um trabalho árduo como o que a Jane faz.
-Maria Luísa, já chega – cortou ele aproximando-se de mim em dois passos. Ficou mesmo ao pé de mim, tão perto que conseguia ouvir o coração dele a bater (eu sei, sou exagerada, mas estava muito perto). – A menina vem comigo e acabou-se a conversa.
-Maria, Taylor, Robert e Kristen, venham cá, por favor – chamou o Chris não sei de onde.
Afastámo-nos os quatro e fomos ter com ele que estava ao pé da entrada do estúdio número três.
-Entrem lá para dentro, agora – disse ele urgente. - Depois conversamos.
Entrámos os quatro lá dentro e fomos para ao pé do cenário gigante da cozinha. Sentei-me numa das cadeiras, tentando respirar normalmente, mas o meu sangue estava cheio de adrenalina e sabia que não conseguiria parar tão rapidamente.
-Maria – chamou o Robert sentando-se de frente para mim. – O que se passou ali?
-O meu pai não é boa pessoa. Ele não consegue ver as outras pessoas felizes.
Meti a minha testa no tampo da mesa, absorvendo o frio que emanava.
-Ele…o rapaz que estava com ele era o meu ex-namorado e …
-É tão mau como o pai dela – completou o Taylor, por mim.
-Estou a ver – disse o Robert. – Percebeste que não vamos gravar nada, não é? Foi só um escape que o Chris arranjou.
-Eu percebi – garanti-lhe. – E irei estar-lhe eternamente grata.
Ficámos os quatro sentados no sofá da sala de estar da casa do Edward e da Bella, à espera que alguém viesse.
O meu desespero era enorme. Queria saber o que se estava a passar lá fora; será que estariam a discutir, a ameaçar-se uns aos outros? Não sabia, mas queria saber. Não aguentei mais e levantei-me para sair do estúdio, apenas para saber se estava a correr tudo bem (sinónimo: se não andavam ao murro). Abri a porta do estúdio apenas o suficiente para sair dali, de maneira a não saberem da minha existência. Escondi-me atrás de uns camiões da Summit e aos poucos fui-me aproximando, escondendo-me atrás de outros carros.
A minha mãe estava no carro da Jane enquanto esta, o Chris o meu pai e o Jorge estavam a conversar (em Inglês).
-A vida de actor é assim mesmo – explicou o Chris.
-A minha filha é menor de idade, ela não pode trabalhar até tão tarde! – explicou o meu pai claramente chateado..
-Na verdade – interveio Jane - ,o contrato diz que ela não pode trabalhar após a meia-noite até ás seis horas do dia seguinte.
-Eu quero levar a minha filha – disse o meu pai, grosso. – Agora.
Jorge olhou ao redor e encontrou-me. Sorriu malicioso e eu corri até entrar no estúdio mais próximo. As luzes estavam apagadas e não se ouvia som algum.
Saía dali ou entrava mais adentro no estúdio? Era melhor a segunda opção, apesar da primeira ser tentadora. Fui andando e aos poucos comecei a reconhecer o local: era o estúdio onde se gravavam as cenas dos Volturi, em Itália. Entrei no estúdio onde estavam os três tronos. Ia a sentar-me e ouvi a porta a fechar-se com um clique.
“Ele está aqui. Ele está aqui”. A minha cabeça gritava em pânico. O meu coração acelerou abruptamente. Onde é que me iria esconder?
-Maria? Estás aqui?
Suspirei fundo, era apenas a voz de Taylor.
-Sim, estou aqui.
Saí dali a correr e vi a sua sombra.
-Vamos – pedi com urgência.
Ele pegou-me na mão e abrimos a porta do estúdio. Mas eis que surgem duas sombras que eu conhecia muito bem: a do Jorge e a do meu pai.
O meu dia podia correr pior? Eu acho que não. E depois de amanhã partia para o Brasil.

Capítulo 13

-Olá filha – disse o meu pai. – Não temos muito tempo, vamos embora.
Pegou-me no braço e tentou empurrar-me dali para fora com a sua força bruta, mas o Taylor impediu-o.
-Sai do meu caminho, pirralho.
-Deixe-a – disse o Taylor.
-Senão o quê? Vais-me matar? – ironizou o meu pai. – Jorge, trata dele.
Jorge tentou pegar no Taylor, mas este esquivou-se e o meu pai deu-me um empurrão e afastou-me do Taylor.
-NÃO! LARGUE-ME! SOCORRO!
-Cala a boca – disse o meu pai tapando a minha boca.
Tentei morder-lhe a mão, mas não resultou.
-Não! Maria! – gritou o Taylor.
O meu pai empurrou-me para dentro e logo de seguida entrou o Jorge para o meu lado, trancando as portas e partimos a grande velocidade. Olhei para trás e o Taylor já estava a correr para ir buscar o carro dele.
-Pai, por favor, não faça isto – pedi-lhe desesperada.
O meu coração batia a mil e o Jorge chegou-se mais a mim.
-Tem calma – disse ele. – Vamos ter uma noite de sonho. E amanhã, vamos os três para o Brasil e nunca mais voltarás para ao pé daquele miúdo.
-Larga-me, Jorge – disse-lhe metendo uma mão no seu peito e tentando impedir que ele me tocasse. No entanto, foi em vão. Ele agarrou-me na cintura e puxou-me para ele.
Que nojo! Quero sair daqui. Virei a cara e olhei para a janela. O meu pai andava pelas ruas de Vancouver a alta velocidade e do nada, vi o carro do Taylor.
-Merd*! Temos companhia – declarou o meu pai, acelerando ainda mais.
Olhei para trás e o carro da Jane vinha atrás de nós com a minha mãe lá dentro. Ela estava com a cara mais preocupada à face da Terra.
Jorge virou a minha cara para ele e beijou-me. Tentei afastar-me mas ele encostou-me ao vidro do carro e começou a subir as mãos.
Não! Por favor, outra vez, não!
O meu pai travou o carro bruscamente o que interrompeu o beijo e ainda bem. Falou qualquer coisa e depois voltou a acelerar e passado um bocado travou.
-Vai. Amanhã de manhã venho buscar-vos – disse o meu pai.
O Jorge abriu a porta e obrigou-me a sair com ele. Tentei livrar-me do braço dele no entanto, quando me apanhou, tinha uma coisa a fazer-me pressão nas costas.
-Mais uma dessas e morres – disse ele ao meu ouvido. – E tu não queres isso, pois não?
Corremos para não sei aonde e vejo umas letras verdes, grandes a dizer “MOTEL”.
Ele abriu a porta e atirou-me para cima da cama.
-Hoje, és minha – sussurrou ele enquanto me tentava tirar a roupa.
-Não… por favor Jorge! Não o faças!
Beijou-me e abriu o botão dos meus calções.
-Vá lá… Já cresceste, estás mais consciente de que podes aproveitar este momento – disse ele.
É isso! Neste momento vou ser actriz e depois deixo-o.
-Eu sei. Só… só esta noite – disse mordendo-lhe o lóbulo da orelha.
-Tudo bem.
Olhei para a janela que estava com os cortinados fechados mas vi por uma brecha o rosto que eu mais desejava ver. Disse pelos lábios, sem fazer som algum para ele me ajudar e ele acenou. Passados uns segundos, a porta do quarto foi arrombada e o Taylor entrou lá dentro, empurrando o Jorge para a parede do lado esquerdo. A minha mãe e a Jane apareceram e foram até mim. A minha mãe abraçou-me logo e a Jane telefonava para a emergência.
Olhei para a luta e o Taylor já estava a dominar a situação, dando-lhe uma valente tareia. No entanto, eu sabia que o Jorge poderia fazer queixa dele e no que dependesse de mim, o Taylor nunca iria ter cadastro na polícia.
Afastei a minha mãe do meu caminho e corri até ele.
-Taylor, pára, já chega – disse-lhe com calma, tocando-lhe no ombro.
Ele parou, mas continuou a fitar o Jorge.
-Anda – disse-lhe tentando levantá-lo. Ele ajudou-me a concluir a acção e assim que se levantou, abraçou-me fortemente.
-A polícia já vem a caminho e a ambulância também – informou a Jane.
-Eu não preciso – disse.
-Não é para ti, é para aquele senhor – explicou a Jane olhando de soslaio para o Jorge.
Por momentos, pareceu tudo bem, mas do nada lembrei-me que ele tem na posse dele uma arma. Desfiz o abraço de Taylor e corri para o Jorge. Ele olhou para mim e tentou levantar-se mas eu dei-lhe um golpe na cara e ele desmaiou. Tirei a arma que estava presa ao cinto dele e atirei-a para cima da cama.
Voltei para junto do Tay e ele olhou para mim surpreendido.
-Tu fizeste-o desmaiar!
-Oh, eu sei.
Comecei a ouvir a polícia e a ambulância e passados uns minutos eles já lá estavam.
Olharam para o Jorge e levaram-no logo para o hospital. Um polícia simpático veio até mim e perguntou:
-Quer apresentar queixa?
-Sim. A ele e ao meu pai.
Comecei a dar-lhe todos os dados que sabia e depois ele foi-se embora. Fui com o Taylor para o hotel e pedi à Jane para avisar o Chris que amanhã chegaria atrasada e também pedi à minha mãe para não me incomodar.
-Vai buscar a tua roupa de dormir e depois vem ter ao meu quarto – sussurrou Taylor.
-OK.
Peguei rapidamente as minhas coisas de higiene, no meu pijama e na roupa que iria vestir no dia seguinte e depois fui bater-lhe à porta.
-Está aberta.
Abri a porta e ainda tive tempo de ver os seus músculos porque ele estava a vestir uma T-shirt que lhe ficava muito sexy.
Ele chegou-se a mim e beijou-me muito delicadamente. Como resistir ao Taylor? Não dá, não é? Comecei a responder ao Taylor, mas com um bocadinho mais de emoção.
-Tem calma – disse ele, voltando a beijar-me.
-A vida é curta – disse eu entre beijos.
Dei impulso e meti as minhas pernas à volta da sua cintura. Ele segurou as minhas costas e começou a levar-me para dentro do seu quarto. Larguei as coisas no meio do chão e agarrei mais a sua nuca.
Deitou-me na sua cama mas do nada parou.
-Hoje não – disse ele.
-Porquê?
-Porque não estás preparada e namoramos há muito pouco tempo.
-Mas…
-Esquece – disse ele dando-me um beijo na testa. – Hoje não.
-Está bem – disse resignada e levantando-me da cama. – Vou vestir-me.
Fui buscar as coisas que tinha deixado no chão e entrei na casa de banho. Tomei um banho rápido e vesti o meu pijama. Sequei o cabelo com o secador que o Taylor lá tinha e depois voltei para o quarto. Ele estava a ver televisão e reconheci o filme que estava a dar: Titanic.
Fui sentar-me ao lado dele abracei-o.
-Sabes, acho que se não tivesses chegado naquele momento, era capaz de…
-Não precisas de falar no assunto – disse ele, fitando-me cauteloso.
-Mais tarde ou mais cedo acabaremos por falar – expliquei. – Queres falar?
-Malu – disse ele. - ,eu faço qualquer coisa por ti. Naquele momento, quando vi as garras dele no teu corpo, só o queria matar. Ver-te a seres tocada por ele acendeu em mim uma fúria que nem eu mesmo tinha conhecido até agora.
-Eu sabia que tu acabarias por ir lá. Eu sabia.
-Mas tiveste medo na mesma e quando o teu pai te levou para longe de mim, só vi tudo o que poderia acontecer. O mesmo que te aconteceu da outra vez.
-Taylor…Obrigada – agradeci com as lágrimas a virem-me aos olhos.
-Tu és a minha vida agora – disse ele juntando as nossas testas.
-Isso é uma fala do Edward no filme do Crepúsculo – desdramatizei a conversa.
Ele riu-se e voltou a ficar sério.
-Eu sei. E só agora também sei o que ele sentiu ao ver que podia perder a Bella.
Acabámos de ver o filme juntos e depois fomos para a cama. Eu encolhi-me numa bola, como era costume, e ele meteu o braço por cima de mim. Quando acordámos, estávamos na mesma posição.

20 de julho de 2011

E a Saga continua em Filme - 10º e 11º capítulos

Espero que gostem!
Estes capítulos foram muito bons de se escrever e ficamos a saber mais sobre a família e o passado da Malu.
Obrigada por todos os comentários! Tenho-os visto a todos e fico muito feliz por saberem que gostam!





Capítulo 10

O dia hoje correu muito mal. Estava sempre a enganar-me nas falas e o dia esteve com algum vento frio e nuvens. Olhava para as falas que tinha que decorar e no início pensei que as sabia de cor, mas quando as câmeras começavam a filmar, esquecia-me de tudo. Para piorar a situação não conseguia rir, não falei com ninguém e o meu olhar estava ausente, eu pressentia todos estes sentimentos. Já para não falar no rebuliço que estava a minha cabeça. Não sabia quando é que o meu pai haveria de chegar, mas sabia que devia de estar prestes a aterrar. Ele não era pessoa de adiar muito os assuntos, isso eu sabia.
O Chris deixou-nos sair mais cedo e mudei logo de roupa, telefonei à Jane mas ela apenas disse:
-Estou ocupada, desculpa. Vim buscar o teu pai ao aeroporto. Achas que aguentas um bocado?
O meu telefone caiu ao chão, saltando a bateria e o cartão do telemóvel. Caí junto com ele passados uns segundos.
-Ei, tem calma, o que se passou? – perguntou o Taylor, ajudando a levantar-me.
-O meu pai – disse vagamente.
-Eu levo-te ao hotel – afirmou pegando o meu telemóvel do chão e juntado as peças todas.
-Por favor, Taylor! Não me leves para lá! – quase gritei. Ele olhou para mim um bocado assustado e finalmente disse:
-Acho que podes passar algum tempo com a Ashley.
-Por favor! – implorei agarrando o colarinho do seu casaco. – Leva-me daqui. Não quero que ninguém pergunte o que se passa. Só tu é que sabes. Por. Favor.
Ele suspirou e sussurrou:
-Vai ser pior para ti.
-Eu faço tudo o que for possível – disse determinada. Larguei o seu casaco e meti-me ao seu lado. Fomos para o carro dele e saímos dos estúdios. Ele começou a andar pelas ruas de Vancouver e parámos ao pé de um hotel que nunca tinha visto.
-Podes ficar aqui. O quarto fica no meu nome, não te preocupes.
-Obrigada, Taylor – agradeci dando um beijo na sua bochecha.
Saímos do carro e ele fez a reserva pedindo exclusivamente que não informasse ninguém que ele estava ali.
Subimos os dois em silêncio e fomos para o quarto que nos tinha sido reservado.
-Ficas bem aqui? – perguntou ele. – Se quiseres posso trazer-te algumas roupas.
-É melhor não – disse. – Tenho a certeza que eles irão suspeitar se te virem a entrar no meu quarto. Vai para o hotel e diz que não sabes onde eu estou. Alguém nos viu a sairmos juntos?
-Acho que a Nikki saiu atrás de mim – informou ele. – Vou telefonar-lhe e pedir-lhe para não dizer nada. Dá-me um instante.
Ele foi para a varanda e a conversa foi breve. O meu telemóvel tocou e eu estaquei. Atendia ou não?
-É melhor atenderes – aconselhou ele.
-Não.
-Acredita em mim.
Atendi a chamada e era Jane:
-Onde é que estás? Ainda não chegaste ao hotel?
-Não. Vim dar um passeio… ao mar. Gosto de dias assim – menti. Menti em todas as palavras que tinha dito. Eu ainda não tinha chegado ao hotel (estava noutro), não estava a dar um passeio, muito menos pelo mar e… fiz asneira. A minha mãe sabe que eu odeio dias assim.
-Filha, estás onde? – perguntou a minha mãe, em português. – O teu pai já chegou. Por favor, vem para cá o mais rápido possível.
-Desculpa, mãe, não te estou a ouvir muito bem – disse e desliguei logo o telemóvel. Caí no chão e comecei a chorar. O meu pai já cá estava e eu sabia que não havia volta a dar. Ele não iria embora sem me levar atrás e… eu tinha que voltar porque se eu desaparecesse, ele iria pedir a minha guarda e aí é que não posso desobedecer-lhe.
-Taylor. Temos que ir para o hotel – pedi-lhe. – Se eu desaparecer o meu pai é capaz de pedir a minha guarda.
-Ele é mesmo assim tão… mau? – perguntou ele sentando-se há minha frente.
-Tu não imaginas o quanto.
***
-Olá pai – disse vendo-o na recepção lado do… Jorge. Se ele também tinha vindo isso significava que ele queria também que eu começasse a namorar o Jorge. Outra vez.
-Taylor? – sussurrei enquanto eles se levantavam. – Preciso que faças de meu namorado. Aquele rapaz que está a vir atrás do meu pai, foi… meu namorado e ele é tão mau como o meu pai.
-Onde é que esteve a menina? Eu bem a avisei que essa ideia de vir para cá não era boa opção.
-Olhe, não sei quem é o senhor. Você não era… poeira?
-Filha, acalma-te – pediu a minha mãe, vindo para o meu lado.
Jane e Taylor não estavam a perceber nada porque nós estávamos a falar português, mas percebiam que o ambiente estava tenso.
-É melhor falarmos em Inglês. Sendo que agora eu também sou americana.
O meu pai olhou-me furioso e percebi que percebeu que eu tinha crescido e já não era aquela criança que baixava a cabeça e dizia “Sim, pai, desculpe”.
-Tudo bem – disse ele em Inglês. – Vamos lá falar em Inglês. Trouxe-te uma surpresa, o Jorge.
-Olá Jorge – disse fria.
Ele vinha para me dar um beijo mas eu apenas estiquei a mão para o cumprimentar.
-Já chega, Maria Luísa Fortes. Ele é teu namorado!
-Deixou de o ser há muito tempo e o pai sabe muito bem porquê. E, tenho um namorado, por isso, pare de fazer essa chantagem.
-Quem é ele? – perguntou furioso já olhando o Taylor de lado.
-Taylor Lautner. Se não sabe quem é, pode ir à Internet.
-Eu sei muito bem quem é. Isto não fica assim, Maria Luísa. Você vai voltar comigo para o Brasil, demore o tempo que demorar. Você volta e comigo sem hipótese de voltar para este mundo de fúteis.
-Como queira. Adeus.
Peguei na mão do Taylor e levei-o para o elevador, chegando-me muito a ele. Sei que não era preciso, mas queria que o meu pai pensasse que aquilo era verdade.
Chegámos ao meu quarto e a primeira coisa que fiz foi pedir-lhe imensas desculpas por aquilo que o fiz passar à bocado e por ele ter que se fazer passar por meu namorado. Ele limitou-se a abraçar-me e dizer com um sorriso que não tinha problema algum, queria apenas ajudar-me.


Capítulo 11

Pedi que nos trouxessem o jantar ao quarto. Eu e Taylor estávamos a ensaiar desde que tínhamos chegado.
Quando o jantar chegou comemos calmamente e falando das coisas que gostávamos e não gostávamos. Contei-lhe como é que era a zona onde eu vivia no Brasil e falei-lhe como é que eram as minhas BFF. Contei-lhe a minha ambição de comprar uma casa para as três e frequentar a mesma faculdade. Ele riu-se da situação e comentou que nós não éramos BFF; éramos irmãs. O seu sorriso desapareceu depois e fez uma pergunta à qual não estava à espera:
-Quem é o Jorge?
Aquela pergunta, atingiu-me no estômago como se algum jogador de boxe me tivesse dado um murro. Senti que até deixei de respirar. O Jorge… era o meu passado e tudo o que o incluísse a ele doía. Levava-me imediatamente aos meus piores anos de vida. No entanto, eu devia isso a Taylor. Ele tinha que compreender quem era aquela besta sendo que ele fazia de meu namorado.
-O Jorge foi … meu namorado há uns anos atrás. Ele é três anos mais velho do que eu e conhecemo-nos numa festa de aniversário de um colega do meu pai.
Ele ouvia atentamente todas as palavras que eu dizia e estudava-me cuidadosamente, percebi eu.
-Começámos a namorar e ele no inicio era muito querido comigo. Todas as tardes, assim que chegava a casa, recebia flores dele. As coisas estavam a correr lindamente, até ao dia que ele me… obrigou a … fazer uma … coisa.
Fitei os olhos de Taylor atentamente e eu compreendi que ele já tinha entendido. Mas continuei, devia isso a Taylor:
-Então, as coisas tornaram-se um Inferno. Ele deixou de me enviar flores, em vez disso ia a minha casa e agredia-me e não era só verbalmente. Por incrível que pareça, ele aprecia sempre dez minutos depois da minha mãe sair para comprar algo. Parecia que… nos perseguia. Sempre o tinha conseguido deter, chamando a segurança do prédio ou aparecia sempre algum vizinho que me ouvia. Sempre. Até ao dia que…
Parei. Teria coragem suficiente para contar ao Taylor o que realmente aconteceu?
-Era Domingo. A minha mãe tinha saído com as amigas de manhã e só voltava à hora de almoço. Aos Domingos, só havia segurança a partir das oito da noite. Ele apareceu precisamente dez minutos depois. Sabia que era ele; Ele tocou mais vezes há campainha e depois enviou-me um SMS a dizer que tinha uma coisa muito importante para me contar. Fui abrir a porta e … ele … obrigou-me a fazer … aquilo.
-Maria – disse ele, levantando-se e aproximando-se de mim. – Ele violou-te?
Acenei com a cabeça.
-Depois desapareceu. Estive imenso tempo sem saber dele. Fiz queixa na polícia mas eles não puderam fazer nada. Ele é uma pessoa muito rica. Os pais dele são investidores da bolsa, ganham muito dinheiro. Quando estava a sair da escola um dia, ele apareceu. O que vale era que a Vanessa e a Gabriela estavam lá porque ele queria levar-me a dar uma volta. Elas sempre souberam, mesmo antes da minha mãe. No dia a seguir fui a casa dele com a minha mãe e, com a presença dela, disse que estava tudo acabado entre nós. Disse-lhe que se ele se aproximasse de mim, eu iria fazer queixa dele e ele não voltou a aparecer…
-Até agora – completou ele.
-Até agora.
-Malu – chamou-me ele pelo diminutivo. – Eu não vou deixar que ele te faça mal. Ele não vai tocar num fio de cabelo teu enquanto eu puder.
-Taylor, os testes são daqui a cinco dias. Eu faço anos daqui a duas semanas. Quero que me prometas que se eu não voltar três dias depois e não mantiver contacto contigo, vais ao Brasil buscar-me. Vou dar-te os contactos da Gabi e da Van. Prometes que vais fazer isso?
Ele fixou o seu olhar nos meus olhos e disse:
-Prometo.
-Obrigada, Taylor.
-E só mais uma pergunta – pediu ele e depois prosseguiu assim que eu assenti com a cabeça. – O teu pai sabe da história toda?
-Sim. Impressionante, não é? – disse irónica. – Ele sabe de tudo e mesmo assim ainda o trás.
-Lamento o teu pai ser assim.
-Não lamentes – disse rapidamente. – Porque eu não lamento. Ele pode continuar a ser o meu pai, mas isso não me impede de o odiar. Eu adoro-o como pai, mas odeio-o como pessoa.
-OK.
Ele vinha dar-me um beijo na testa quando a porta bateu. Olhámos os dois ao mesmo tempo para a porta e a voz de Jorge em Inglês soou:
-Malu, sou eu. Posso entrar?
-Taylor? – sussurrei em pânico e apertando-lhe a mão.
-Tem calma. Eu atendo. Esconde-te na casa de banho – sussurrou ele demasiado depressa. – Vai!
Escondi-me na casa de banho e fiquei à escuta. Ouvia-se muito mal, mas mesmo assim conseguia ouvi-los.
-A Malu está? – perguntou o Jorge em Inglês.
-Está a dormir. E você devia de fazer precisamente o mesmo.
-Pode ir acordá-la, por favor?
-Não. Ela está demasiado cansada para o receber a si. Agora desande daqui para fora antes que eu chame a segurança do hotel.
-Tudo bem. Boa noite – disse o Jorge
Ouvi a porta a fechar-se e depois o Taylor a dizer:
-Já podes sair. Ele já se foi embora.
Saí da casa de banho e fui abraçá-lo.
-Obrigada. Obrigada por tudo.
Afastei-me dele, mas ele segurou a minha nuca e as nossas testas colaram-se uma à outra.
-Ele foi a única pessoa que beijaste na tua vida? – perguntou ele num sussurro.
-Já te beijei a ti.
-Não. Beijaste o Jacob. Mais ninguém?
-Não – admiti.
Ele acabou com a distância que existia entre os nossos lábios. O seu beijo era doce e cheio de desejo. Correspondi ao beijo e puxei-o mais para mim. As suas mãos desceram para a minha cintura e também me puxou mais para si. As sensações que percorriam o meu corpo eram impossíveis de descrever porque eram todas e muitas delas novas para mim.
O beijo acabou e fitei-o. Ele também olhava para mim e disse:
-Nunca senti tanta atracção por uma rapariga como sinto cada vez que estou contigo. Sei que posso ser doido, mas é a verdade. E também sei que já disse isto milhões de vezes, mas contigo é diferente, Malu. Eu amo-te.
-Taylor, isto era suposto não acontecer. Já pensaste que podes estar a sentir o que o Jacob sente e eu o que a Nessie sente?
-Já. Mas sei que quando acabar este papel, serei capaz de te amar ainda mais porque vou estar liberto desta personagem.
-No contrato diz que…
-Eu sei o que diz o contrato. E achas que alguém o respeita? Todos namoram em segredo – disse o Taylor dando o seu melhor sorriso. - Eu sei que tu sabes da Kristen e do Robert, mas existem mais casais lá. O Kellan e a Nikki, a Ashley e o Jackson. Encobrimo-nos todos uns aos outros.
-Mas isso não é correcto! Quer dizer… não sei!
Afastei-me dele e dirigi-me para a janela da sala.
-Taylor… eu não sei se estou preparada para assumir esta relação. Eu sou menor de idade e isto podia ser um problema por causa do meu pai. Ele faria de tudo para me afastar de ti.
-É possível – disse ele abraçando-me por trás. – No entanto, eu continuo a querer correr o risco.
-Tu és doido! – exclamei.
-Talvez, mas só se for por ti – disse ele dando-me um beijo no pescoço.
Ficámos a observar o céu atentamente. Estava limpo e conseguíamos ver as estrelas. Passava uma aragem amena e entrava no quarto.
-Vou tomar um banho e buscar umas roupas. Depois volto, está bem?
-Isso tudo é por causa do Jorge?
Encarei-o bem nos olhos e estes traíram-no. Era por causa do Jorge.
-Eu não sou a Bella e ele não é um James – referi. – Eu fico bem. Prometo que não saio do quarto.
-Prometes?
-Sim – disse-lhe beijando-o mais uma vez. – Boa noite.
-Boa noite.
Ele saiu do quarto e eu fechei logo a porta trancando-a. Vesti o meu pijama e adormeci, mas o meu último pensamento foi quando o Taylor disse que me amava. Eu também o amava, mas estaria preparada para assumir uma relação? 

13 de julho de 2011

E a Saga continua em Filme - 8º e 9º capítulos

Espero que gostem!





Capítulo 8

-Taylor, são duas da manhã, não queres fazer uma pausa? – perguntei, mas soou mais a uma reclamação. Eu já sabia as minhas falas todas de cor e ele também, mas ele insistia que ainda não estava perfeito.
-Vamos fazer só mais uma vez – pediu ele.
-Posso ir há casa de banho?
-Claro – assentiu ele.
Levantei-me, mas acho que foi demasiado depressa porque cambaleei e se não fosse o Taylor naquele momento com os seus reflexos super rápidos, juro que tinha caído no chão de cara.
-Tem calma – disse ele. – Estás mesmo cansada. Queres que te leve ao teu quarto?
-Não, eu estou bem. Só preciso de ir há casa de banho, a sério – teimei eu.
-OK – respondeu ele, largando-me o braço devagar.
Fui há casa de banho e lavei o meu rosto com água. Sequei-o há ponta da T-shirt e voltei para a sala. Ele dizia as falas baixinho, mas com a entoação certa.
-Está perfeito, Taylor – teimei. – Porque é que insistes em repetir isto vezes sem conta?
-Amanhã vai ser aquela cena em que a Nessie diz ao Jacob que a ama. A cena tem que ser intensa mas ao mesmo tempo romântica.
-Eu sei – afirmei sentando-me no sofá, encostando-me ao ombro dele.
-Não acredito que vais dormir a sesta?!
-Não. A minha cabeça está a pesar demasiado, por isso vou pousá-la um bocadinho – disse com a maior voz de sono.
-Anda, vou levar-te ao quarto.
-Não, eu quero ajudar-te – disse segurando o braço dele.
-Já estás a ajudar-me se me deixares levar-te ao teu quarto e ter a certeza que não está nenhum paparazzi lá dentro – brincou ele.
-OK.
Peguei no meu guião e fui andando para a porta com Taylor no meu encalço.
-A que horas é que temos que estar lá?
-Ás sete. Eles querem gravar as cenas a partir das 10 horas que é quando o sol estiver a aquecer e a clareira tiver luminosidade suficiente.
-Certo. Se eu adormecer bate há porta até eu acordar, OK?
-Certo. Até amanhã – disse ele dando-me um beijo em cada face.
Entrei no meu quarto, meti o despertador para as seis e adormeci vestida mesmo assim.
***
Mas quem é que inventou os despertadores? Que raiva de instrumento que nunca se cala com aquele som de buzina!
Peguei no telemóvel e desliguei-o. Tentei adormecer mais cinco minutos, mas já não foi possível. Liguei a MTV enquanto escolhia o que vestir. Decidi por umas jeans que me ficavam um pouco acima do joelho, um top branco sem alças e um casaco de linho verde só com mangas. Calcei os meus All Star pretos e desci as escadas para tomar o pequeno-almoço calmamente.
Oh, bolas, esqueci-me de avisar a Jane a que horas é que devia de estar no estúdio. Será que o Taylor me podia dar boleia hoje? Não queria abusar da boa vontade da Jane e acordá-la a uma hora destas.
Subi no elevador e bati à porta. Ele abriu-a dois minutos depois, já vestido e com o cabelo ainda por secar.
-Bom dia Maria Luísa – disse ele bem disposto. – A que devo a sua honra tão cedo?
-Esqueci-me de avisar a Jane ontem a que horas é que tinha que estar no estúdio – expliquei. – E para não a acordar a esta hora, estava a pensar se hoje também me podias dar boleia.
-Claro – respondeu ele abrindo a porta do elevador. – Só preciso de tomar o pequeno-almoço primeiro.
-Sim, está bem. Eu fico à tua espera…
-Nem penses – interrompeu ele. – Não me vais deixar sozinho naquela sala de hotel gigante. Imagina que aparece lá um paparazzi? Quero estar bem acompanhado!
-Muito engraçado – ri, mostrando o meu melhor sorriso.
Ele tomou o pequeno-almoço e seguimos para fora do hotel.
Alguns paparazzi estavam lá e começaram a tirar fotografias. Seguimos juntos, mas com alguma distância e entrámos no carro dele. Seguimos até ao estúdio e lá estavam mais paparazzi desta vez acompanhados de algumas fãs.
-Imagino na premiere do Amanhecer – murmurei e ele riu-se.
-Não é tão mau assim. Vais perceber que os fãs são fantásticos à sua maneira. Cada um tem a sua forma de exprimir que nos admira e gosta do nosso trabalho.
-Hum, OK. Vou pensar nisso quando pisar o tapete vermelho.
-Despachem-se! Já deviam de estar a vestir-se – disse o director, mal nos viu. – E por falar nisso, hoje o teu professor vai chegar.
-Pois, sobre isso – esclareci. – Eu vou fazer os testes, os trabalhos de casa e outras coisas por correspondência. Só precisarei de me ausentar três dias para fazer as provas.
-Isso não calha nada bem. Mas nesses três dias farei outras coisas… OK, convenceste-me! – exclamou o Chris. – Mas depois quando chegares vais ter que trabalhar o dobro.
-Prometo – disse. – Podemos ir?
-Já deviam de lá estar!
Vesti as roupas que hoje iria usar, fui ao cabeleireiro e depois ao “quarto” da maquilhagem onde me maquilharam. Depois de estar pronta, fiquei à espera do resto do elenco à porta de um dos estúdios. Senti o cheiro do tabaco e fui dar com a Kristen e o Robert a fazerem… certas coisas. Daí o cheiro horrível do tabaco: ambos estavam com um cigarro nas mãos.
-Desculpem interromper, mas é melhor arranjarem um hotel se quiserem evoluir na relação – disse.
Ambos olharam-me espantados, assustados, incrédulos e furiosos.
-Tenham calma, não irei contar a ninguém – assegurei.
-Prometes? – disse a Kristen desconfiada. – É porque se isto for parar às revistas, estamos feitos.
-Eu compreendo. Ah, e a propósito, quando quiserem estarem aí na marmelada, apaguem os cigarros, eu detecto esse cheiro a quilómetros.
-Obrigado Maria. Ficamos a dever-te uma – disse o Rob.
-Deixa isso.
Virei costas e voltei para o sítio onde estava. Tirei da minha mala o guião e voltei a dar uma vista de olhos à cena que iríamos gravar.
-Oiçam todos! – gritou o Chris mesmo ao meu lado. A Kristen e o Robert vieram para onde todos nos começávamos a juntar e aos poucos já estávamos lá todos. – Vamos dar alguns autógrafos aos fãs assim que sairmos. Os vidros vão ser abertos, mas as portas estarão trancadas.
Entregou-nos uma caneta e quando olhei para ela, nem queria imaginar. Eu iria dar um autógrafo? Não, não era possível! Eu não podia dar, porque ainda ninguém me conhecia. Os meus olhos começaram a ficar marejados de lágrimas e quando uma caiu pela minha bochecha, limpei-a rapidamente.
-Todos já sabem que tu serás a Nessie. Já tens fãs em quase todo o mundo – disse o Taylor mesmo à minha frente.
-Não sei se serei capaz – admiti baixando ainda mais o rosto não tendo coragem para o enfrentar.
-Vais no meu carro atrás, está bem?
-Por favor, escolham com quem querem ir na viagem. Iremos partir dentro de dois minutos – avisou o Chris.
Olhei por cima do ombro dele e lá estavam os fãs e alguns paparazzi.
-Como é que se dá um autógrafo?
-Apenas assina com o teu nome – explicou-me ele. – Anda.
Entrei no carro e fiquei ao lado da Ashley. Ela seria uma boa companhia. O nosso carro foi o segundo e quando vi o primeiro a ser abordado por todos os lados por fãs, apertei mais a minha caneta. OMG, daqui a uns minutos seria eu. Recostei-me no banco e respirei fundo.
-Ainda bem que vou exercitar a minha mão. Há muito tempo que já não dou autógrafos enquanto estou a filmar – comentou a Ashley quase a dar pulinhos do banco.
Olhei para ela horrorizada e desviei logo o olhar.
-Preparem-se – disse o condutor ao qual ainda não sabia o nome. O carro avançou e os vidros abriram-se.
Os gritos das fãs, os flashes, tudo me atormentou e algumas fotos começaram a aparecer mesmo à minha frente. Comecei a assinar todas com a minha rubrica, houve alguns fãs que me tiraram fotos e depois o carro avançou de seguida. Os vidros fecharam-se e recostei-me no banco. Respirei fundo, tentando controlar o tremor das mãos, o frio na barriga e o meu coração acelerado.
-Maria, estás bem? – perguntou a Ash.
-Estou – menti. Meti a mão na minha testa e ela estava a escaldar. Voltei a respirar fundo mais uma dúzia de vezes e finalmente comecei a sentir o meu ritmo cardíaco a abrandar e o frio e aperto na minha barriga desaparecerem. Apertei as minhas mãos uma na outra como se fosse acertar numa bola da voleibol com manchete e com o tempo o tremor terminou. Tinha acabado de dar os meus primeiros autógrafos.



Capítulo 9

O dia estava a começar de aquecer e estarmos na floresta não facilitava muito. O ar estava abafado quando estávamos ao sol e a sensação de claustrofobia tomava conta de mim.
-Vamos começar a gravar! – exclamou o Chris. – Taylor, Maria, aos vossos lugares.
Fui para a frente das câmeras e comecei a dizer as minhas falas com a entoação certa. Os outros elementos do elenco começaram a aparecer e depois desapareceram sem antes de terem dito as falas. Agora, era o momento de beijar o Taylor. OMG, e agora? Não podia corar, não podia fugir, só tinha uma hipótese: entrar ainda mais na pele da Nessie. Começámos a aproximarmo-nos um do outro lentamente, como o guião dizia e… os nossos lábios tocaram-se. Entregámo-nos completamente ao momento, como o guião dizia (N/A: alguém é capaz de a fazer esquecer que esta cena tem guião?). Ele encostou-me a uma árvore e eu empurrei-o ferozmente.
-Corta! – gritou Chris. – Está perfeito! Muito bem!
Todos bateram palmas e senti-me corar. As maquilhadoras começaram a rodear-me e chamaram o Taylor para qualquer coisa.
O resto do dia correu assim. Estivemos a gravar aquela cena até ás seis horas por causa do ângulo da câmera e por haver sempre qualquer coisa. Deram-me algumas brancas assim como a alguns actores e os mosquitos não no deixavam em paz.
-Pessoal! – gritou o Kellan. – Hoje temos entrada VIP numa discoteca aqui perto. Alguém quer vir?
-Contem connosco – disse o Robert.
-Eu também vou – disse a Nikki.
-Estou dentro! – comentou a Ashley.
-Lamento, mas combinei com as minhas filhas irmos ver um filme – informou o Peter. – Lamento, fica para a próxima.
-Elizabeth? – perguntou o Kellan.
-Estou cansada. Quero ir descansar – respondeu ela.
-Taylor?
-Como se fosse preciso perguntares!
-Maria?
Fiquei espantada. Não seria suposto eu também estar incluída e também não podia entrar em qualquer discoteca neste país.
-Não estou autorizada a entrar.
-Minha querida – começou ele. – É óbvio que podes entrar porque vais ser VIP.
-Hum… - ponderei. – OK. Eu vou.
-Encontramo-nos todos no sítio do costume – disse o Kellan. – Ás nove em ponto.
Fomos todos para os carros e quando voltámos aos estúdios, lá estavam as fãs e os paparazzi, mas desta vez (felizmente) não abriram os vidros para darmos autógrafos. Chegámos e despedi-me de todos. Ia-me a dirigir à Ashley quando a Jane me chamou:
-Maria! Vim buscar-te!
Virei-me para ela e pedi-lhe:
-Dois minutos, por favor.
Ela acenou e deixou-me seguir o rumo que estava a tomar.
-Ashley?
-Sim?
-Posso pedir-te um favor? Preciso de ir ás compras urgentemente – disse.
Ela olhou para mim super contente e exclamou:
-É claro que vamos! Agora?
-N-não. E se fosse daqui a meia hora? No meu hotel?
-OK. Eu irei buscar-te. Até já!
-Mas precisas do nome do hotel! – exclamei.
-Oh, não te preocupes. Eu até sei qual é o teu andar.
-OK. Até já – despedi-me e corri para o lado de Jane.
-Já podemos ir?
-Claro – acenei.
Ela arrancou com o motor e chegámos rapidamente ao hotel. Antes de sair do carro ela avisou-me:
-A tua mãe quer falar contigo.
-Obrigada. Até amanhã.
-A que horas é que te venho buscar?
-Ás seis, pode ser?
-Cá estarei – disse ela. Saltei do carro e corri para o hotel, indo para o terceiro piso e batendo à porta da minha mãe.
Quando ela a abriu, tinha o rosto cansado, como se estivesse acordada há várias horas.
-O que se passa mãe? – perguntei em português.
-Entra – pediu ela.
Entrei e ela fechou a porta logo de seguida.
-O teu pai – disse ela e foi o bastante para eu perceber que ele tinha feito alguma coisa. – Ele diz que vem para cá.
-O QUÊ? Ele não pode!
-Pelos vistos pode – continuou ela. – E pior, disse que vai fazer de tudo para tu voltares para o Brasil.
-Não mãe! Por favor, não o deixes! – implorei.
-Sinceramente e apesar de não concordar muitas vezes com ele, acho que desta vez ele tem razão – disse ela cruzando os braços sobre o peito. – Tu chegas tarde ao hotel, levantas-te cedo, estás mais empenhada em gravar tudo correctamente do que nos exames finais. Não faz qualquer sentido.
Como era possível? Ela não estava a confiar em mim! Era óbvio que desde que aqui chegara ainda não tinha estudado para os exames finais mas daí a mudar de ideias? Não podia ser, era isto que eu queria e esforcei-me para o ter. Não vou perder tudo apenas por causa das vontades da minha mãe e muito menos pelas vontades do meu pai!
-EU ODEIO-TE. A TI E AO PAI! ODEIO-VOS! – gritei e subindo até ao vigésimo andar. Entrei no meu quarto e comecei a chorar sem conseguir controlar.
Alguém bateu à porta, mas eu não a abri. OMG, tinha combinado com a Ashley ir ás compras com ela. Não, não podia ser, tinha que ficar para outro dia. Será que o meu vizinho ao lado teria o contacto da Ashley? Não, não podia ir ter com ele assim. E se telefonasse à Jane? Tenho quase a certeza que ela teria.
-Estou, Jane?
-Sim, diz Maria – disse ela do outro lado da linha.
-Tens o contacto da Ashley Greene?
-Tenho, já te envio por mensagem, OK?
-Tá, obrigada – agradeci e desliguei o telemóvel.
Fiquei à espera do SMS da Jane e não demorou muito. Telefonei logo à Ashley a dizer que afinal não podia ir e depois de lhe pedir mil e uma desculpas, ela lá aceitou e disse que ficava para outro dia. Bolas! Será que o dia podia correr pior? Ah, sim, podia, logo à noite tinha que fingir que me estava a divertir.
Tomei um banho bastante demorado e vesti uma camisola ás riscas pretas e brancas, umas calças azuis escuras e os meus All Star. Meti uma maquilhagem em tons de preto e saí do quarto.
-Olá. Ia agora mesmo chamar-te – disse o Taylor.
(http://gossipandstars.files.wordpress.com/2009/05/taylor-lautner-airport-stu.jpeg)
-Oi – disse meio sem graça. – Dás-me boleia?
-Claro. Como se fosse preciso perguntares. O Kiowa também vai connosco. Só temos que o apanhar dois pisos abaixo.
Entrámos no elevador e fomos chamar o Kiowa. Depois, seguimos para o “ponto de encontro” e seguimos o carro do Kellan. Só quando cheguei ao ponto de encontro é que reparei que ia quase todo o elenco, incluindo alguns dos que representavam os Volturi.
Chegámos à discoteca e como tínhamos entrada VIP, entrámos logo lá dentro. A música estava a bombar e estava tudo cheio.
-Ei! Maria! – chamou o Jackson. – Por aqui.
Fui no seu encalço e tínhamos uma área bastante grande só para nós. No dia em que for tão conhecida como o Kellan, vou fazer o mesmo ás minhas BFF. Na zona onde nos sentámos, tinha lá de tudo um pouco por isso, o difícil foi escolher. Escolhi primeiro por uma cerveja.
-O que estás a fazer? – perguntou a Ashley segurando a minha mão.
-Vou beber alguma coisa, posso?
-Não. És menor, por isso, vais beber coca-cola ou algo assim do género. Estão ali algumas – disse ela apontando para trás dela. – Diverte-te.
-Ashley, eu já bebi antes. E nunca fiquei bêbeda – informei-a.
-Tudo bem, mas aqui não – insistiu ela.
Respirei fundo e fui buscar uma coca-cola, depois, sentei-me ao pé da Nikki e da Kristen. Fiquei ali um bom bocado, sem falar com ninguém, pensando apenas no que já mudou desde que recebi o telefonema da Summit. Como é óbvio, a discussão com o meu pai e com a minha mãe, fez-me vir as lágrimas aos olhos e desatei a correr para a casa de banho (era ali perto). Entrei lá dentro e comecei a chorar tudo o que tinha para chorar. Acho que fiquei ali uma meia hora tentando recompor-me. Não podia aparecer ao pé deles com cara de choro, eles iriam logo perguntar o que se passava e eu sabia que não iria aguentar contar-lhes. Saí da casa de banho e voltei para ao pé deles. Via as pessoas a dançarem na pista mas não me apeteceu ir. Eu adorava dançar com as minhas BFF sempre que íamos a alguma balada, mas hoje não era motivo para festejar.
Recostei-me no sofá e fiquei à espera que o Kiowa e o Taylor quisessem ir embora. Felizmente que isso aconteceu bem mais cedo do que esperava.
Despedimo-nos do Kiowa no elevador e este subiu logo assim que a porta se fechou. Eu e o Taylor ficámos calados o tempo todo. Quando já estava com a chave na fechadura da minha porta, ele perguntou-me:
-Está tudo bem contigo? Estiveste super ausente na discoteca.
-Não me apetecia ir, só isso – menti, tentando evitar que as lágrimas escorressem para as minhas faces.
-Maria, tu estás quase a chorar – afirmou ele e eu não aguentei. Desatei a chorar naquele mesmo momento e ele confortou-me com um abraço. – Eu sei que não é fácil. Está muita pressão nos teus ombros.
-Não, não é isso – disse rapidamente, tentando limpar as lágrimas. – É… são problemas pessoais, não ligues.
-É óbvio que não posso ignorar. Estás assim desde que saímos do hotel. Se é um problema pessoal, esse é muito grave.
-Taylor…
-Por favor. Preciso que confies em mim – disse ele, prendendo os meus olhos aos dele.
-Eu… não, desculpa – disse metendo a chave à porta e preparando-me para entrar.
-A Kristen é a minha melhor confidente – sussurrou ele. – Ela sabe praticamente tudo sobre a minha vida. Gostava que alguém confiasse em mim como eu confio nela.
Gelei. Ele estava a… oh, não, não pode ser. Ele pensa que eu não confio nele.
-Eu confio em ti – assegurei. – Só não me… é complicado.
-Acho que mesmo assim estou pronto para ouvir.
Tirei a chave da porta e fomos os dois para o quarto dele. Quando cheguei lá, o quarto estava arrumado, limpo e a janela estava aberta. Ele encarregou-se de a fechar logo e virou-se para mim. Disse para eu me sentar no sofá e assim o fiz.
-Conta-me o que aconteceu – pediu.
-Vou começar desde o início – avisei-o. – O meu pai nunca teve uma boa relação comigo e com a minha mãe desde que me lembro. Ele… ignora-me o máximo que pode e nunca aceitou qualquer decisão que tomasse. Com a minha mãe ele faz precisamente o mesmo.
Parei. Não aguentaria começar a história do porquê de eu estar assim. No entanto, eu confiava nele e tinha a certeza que ele não contaria nada a ninguém.
-Quando recebi a notícia que iria fazer este papel, o meu pai não aceitou e agora ele vem para cá e a minha mãe diz que seria melhor voltar para o Brasil – disse de um só fôlego. – Pronto, já disse.
Parei de respirar, esperando que as lágrimas não voltassem a cair do meu rosto.
-Nunca estive numa situação dessas mas, acho que te posso ajudar.
-Como assim?
-O que faria o teu pai mudar de opinião? – perguntou ele.
-Não o conheço assim tão bem. Acho que… sei lá! Taylor eu já tentei de tudo, acredita!
-Hum, OK. Havemos de arranjar uma solução – garantiu ele. – Prometo.
-Obrigada. Obrigada por seres meu amigo, nunca me teres julgado e por seres tão compreensivo. Nunca conheci uma pessoa assim. Quer dizer, com excepção das minhas BFF, mas elas agora não estão aqui, por isso, passaste a ser o meu BFF.
-Eu tive sorte. Se os meus pais nunca tivessem aceite o que eu queria ser, não estaria aqui.
-Tenho que ir – disse levantando-me. – Falamos amanhã, OK?
-OK. Tchau – disse ele aproximando-se de mim para se despedir, mas parou de repente e perguntou: - Como é que foi beijares-me?
Só podia estar a brincar! É óbvio que não iria dizer-lhe que tinha sido maravilhoso porque eu era fã da saga. E também não iria dizer que tinha um fraquinho por ele.
-Foi bom. Fizemos tudo bem – disse.
Despedi-me dele e fui para o meu quarto. Amanhã teria que acordar cedo, por isso, vesti o meu pijama e fui dormir.


©AnaTheresaC

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