Capítulo 26
O alarme do meu despertador tocou como normal.
Raios! Porque é que eu não desligava aquela coisa!
Gabi acordou e a Vanessa também um pouco do tipo
“Onde é que eu estou?”.
-Adormecemos – disse-lhes. OMG, notava-se que eu
tinha estado a chorar.
-Parece que sim – disse a Gabi espreguiçando-se.
-Eu tenho uma pergunta para vos fazer – disse-lhes.
Elas olharam para mim há espera que continuasse. – Vocês já são BFF outra vez?
Olharam uma para a outra e sorriram. Deram as mãos e
eu deduzi:
-Parece que sim.
Rimo-nos um pouco e depois elas foram-se embora.
Pediram-me para não sair do quarto sem uma delas ou a Jane (elas iam falar com
ela sobre o sucedido) virem até mim. Quanto menos me encontrasse com o Taylor
melhor.
Pedi o pequeno-almoço no quarto e passados dez
minutos um garçon veio com tudo o que
eu tinha pedido.
Tomei um banho, apliquei uma maquilhagem básica para
quando eu saísse e alguém me visse não pensasse “Uau, ela foi transformada em
zombie” e depois fui tomar o meu pequeno-almoço.
Bateram há porta e o meu ritmo cardíaco acelerou.
Seria ele? Ou seriam as minhas BFF? Espreitei pelo óculo que a porta tinha e
era a Jane com a Van e a Gabi.
Abri a porta e elas entraram logo, sem me deixar
dizer uma palavra.
-Nestas alturas, falas com ele apenas o
indispensável – disse a Jane. – E como tua agente tenho o prazer de informar-te
que podes fazer os TFIs daqui a duas semanas.
-Isso é maravilhoso! – exclamei e abracei-a.
-Já estás pronta? – perguntou a Van.
Fui ao sofá, peguei na minha mala e saímos.
Para meu azar, quando chegámos lá, o Taylor já
estava lá. Fingi que não o vi e quando ele tentou aproximar-se de mim, a Van
tratou do assunto:
-Tem a certeza que quando fores falar com a Malu
tens a consciência limpa e sem karma negativo.
Eu tinha as melhores BFF de sempre!
Ficaram comigo o dia todo e eu nem uma palavra
dirigi ao Taylor, apenas nas cenas, mas isso eu falava com o Jacob, por isso,
eram duas pessoas completamente diferentes.
Todos no set sentiram a energia negativa a pairar
sobre nós dois, mas não disseram nem comentaram nada sobre isso. Também se
comentassem, a Van dava-lhes uma resposta que eles ficariam com medo de mim e
dela para o resto da vida.
Antes de irmos para o hotel, fomos jantar a um
restaurante de comida italiana que estava muito bom. A Jane informou-me que
telefonou para o hospital onde a minha mãe estava e ela continuava na mesma. A
falta que ela me fazia!
Taylor ligou para mim imensas vezes, mas eu não atendi.
Não queria falar com ele depois do que ele me tinha feito.
Voltámos para o hotel e antes de entrar no quarto
pedi há Jane:
-Preciso de um apartamento em LA.
-Eu sei. Já previa que me pedisses isso é por isso
que eu amanhã te entrego as casas lindas que encontrei.
-OK. Boa noite, meninas!
-Boa noite!
Fechei a porta e fui descansar.
Acordei outra vez com a porcaria do despertador e
aconteceu tudo como no dia anterior. Excepto de o Taylor insistir mais vezes em
falar comigo e a Ashley, a Nikki, a Julia e a Tinsel virem falar comigo a
dizerem que estão do meu lado. Devem de se estar a perguntar porque é que a
Kristen não veio falar comigo. Resposta simples: ela gosta muuuuuito do Taylor
e andou o dia todo atrás dele e a dar-lhe apoio. Ela que vá para um sítio que
eu cá sei!
Mas durante a noite foi diferente. Agora não eram
apenas as chamadas: eram as mensagens por texto, por e-mail, os bilhetes
debaixo da porta… como a música da Miley Cyrus 7things: when you maining I
believe it, if you text it I deleted (quando tu mencionas eu acredito, se tu
escreveres eu apago) e foi o que fiz. Apaguei todas as mensagens que ele me
tinha mandado e os bilhetes foram para o lixo.
No dia seguinte, foi o último dia em que gravaríamos
no exterior. Depois, era só mais uma semana de gravações e tínhamos o trabalho
feito. Acho que conseguiria aguentar uma semana com Taylor, só falando o
básico, ou não falando.
Também seria o último dia em que a Gabi ficava cá,
por isso decidimos fazer uma ida ás comprar antes de ela partir porque as
gravações só seriam da parte da manhã.
A última cena foi gravada e eu corri para a
maquilhagem para me tirarem aquilo tudo. Deixei o meu cabelo solto, com os
caracóis, mas não fazia mal, nem me importava. Vesti a minha roupa normal e
saí. A Jane, a Gabi e a Van já estavam no carro há minha espera e que corri até
elas, não apenas para fugir do Taylor, mas porque estava entusiasmada com as
compras.
-Maria, posso falar contigo? – perguntou Kristen
agarrando-me no braço com demasiada força.
Virei-me para ela e disse:
-Claro que sim. Diz.
-Vou ser muito directa – disse ela de uma maneira
agressiva para mim. – Não tens o direito de magoar o Taylor. Ele não te fez
nada e tu não tens que o ignorar.
-Tu não sabes do que estás a falar, Kristen – disse
entre dentes.
-Por acaso até sei. Pensas que ele te traiu com a
Swift mas isso não é verdade. O Taylor era incapaz de fazer uma coisa dessas.
-Não é apenas isso, Stewart! – exclamei. – Foi o
gesto! Não sei se sabes a história toda, mas de uma coisa eu te garanto: eu
tenho motivos para ficar assim.
-Tu. Não tens motivos. Para ficar assim porque. O
Taylor. Nunca te magoaria.
-Veremos – disse azeda.
Virei-lhe as costas e entrei no carro. Elas
olharam-me atónitas.
-Discutiste com a Kristen Stewart? – perguntou a
Van.
-Sim. Ela está a defender o Taylor com garras e
dentes. Pois eu também defendo a minha posição com garras e dentes – respondi.
Vanessa sorriu e voltou-se para a frente. Gabi
fechou a boca de espanto e a Jane concentrou-se na condução.
Comprámos imensas coisas e eu agradeci aos deuses
por nesta altura ter uma conta bem recheada no banco, senão eu iria presa com
tanto dinheiro que gastei. Ofereci uma coisa há Gabi, outra há Van, há Jane,
uma prenda para a Ashley que não pôde vir connosco… enfim, foram imensas coisas!
Jantámos por lá e tudo e prometemos que naquela noite não iríamos dormir! Ou
seja, fomos alugar filmes de tudo: terror, comédia, romance, acção… tudo o
víamos, apanhávamos.
Fomos para o quarto da Jane e pedimos ao hotel
pipocas e mais um monte de coisas que nos fariam passar um mês inteiro no
ginásio para queimar aquelas calorias.
Vimos: Titanic; Romeu e Julieta; Velocidade Furiosa;
Bandslam; Crepúsculo; Os Mensageiros; Transformers.
Ou seja, nós não dormimos nem por um minuto que
tenha sido. Comemos pipocas, biscoitos, coca-cola, 7up, hambúrgueres… tudo!
A Gabi foi para o quarto dela buscar as malas e nós
fomos com ela. Como só tinha que estar no estúdio ás seis e meia, daria tempo
para pôr a Gabi no aeroporto, voltar ao hotel, tomar um banho e colocar roupa
lavada.
-Vamos sentir muitas saudades tuas – disse a
Vanessa. – E telefona e manda mensagens todos os dias, tá?
-OK, eu prometo que vou fazer isso – prometeu ela.
Abracei-a e disse:
-Entra na melhor faculdade do Brasil para me pores
orgulhosa de ti. E eu vou comprar uma casa a contar contigo também. Para o caso
de quiseres voltar e estudar cá.
-OK. Obrigada Malu – disse ela com lágrimas nos
olhos. – Obrigada Van.
Vanessa aproximou-se e demos o nosso abraço de BFF.
A Jane juntou-se a nós sendo que agora também já era uma do grupo.
-Faz boa viagem Gabi – desejou a Jane.
-E tomem conta da Malu – avisou a Gabi para a Van e
a Jane. – Mando uma mensagem quando chegar lá, OK? Beijos!
-Beijos!
Ela entrou no controlo de metais e voltámos para o
jipe e retornámos ao hotel. Subi sozinha para o quarto enquanto elas entraram
nos outros andares. Mas porque raios eu tinha que estar tão longe delas? No
vigésimo andar? Era demais!
Saí olhando para baixo e oiço a tão familiar voz
para os meus ouvidos.
-Maria.
Olhei para ele e corri para o meu quarto, tirando as
chaves do meu bolso das calças enquanto corria, mas ele foi mais rápido e
quando estava a meter a chave na porta e virou-me e prensou-me contra a porta.
-Posso saber por que estás a ignorar-me? Do dia para
a noite? – perguntou ele completamente furioso.
Por momentos pensei que ele era o … Jorge. Com
aquela fúria que até fazia os olhos brilharem.
-Taylor… - tentei falar.
-Explica-me! Se é sobre a Swift, esquece. Não
aconteceu nada.
-Taylor, por favor… - pedi. Eu não suportava olhar
para aqueles olhos cheios de fúria. Só me faziam pensar no Jorge. Tentei
desviar o olhar mas os nossos corpos estavam demasiado juntos. Tentei fechar os
olhos mas o meu corpo dizia que se ele me fosse atacar eu tinha que os manter
abertos para evitar qualquer movimento dele.
-O quê? Vais dizer-me que já não me amas, é isso?
-Taylor…
Houve algumas lágrimas que começaram a escorrer-me
dos olhos e ele mudou instantaneamente de furioso para preocupado.
-O que foi?
-Taylor, por favor… - pedi. Eu não conseguia parar
de pensar no que o Jorge me tinha feito, eu não conseguia reagir de outra
maneira. O meu corpo já estava tão habituado a rejeitar aquela dor que cada vez
que eu sentia, via ou pensava, só pedia para deixar de sentir, deixar de ver ou
pensar naquilo.
-Meu amor, o que foi?
-Deixa-me… deixa-me… por favor – pedi tentando
controlar os soluços.
Ele afrouxou ainda mais as mãos que estavam nos meus
braços. Tive espaço de manobra e rodei a chave do quarto. Abri-a e ele foi empurrando-me
delicadamente e entrando comigo. Fechou a porta e levou-me para o sofá. O
computador estava no sofá e ele meteu-o na mesa onde era costume ele estar.
-Meu amor, o que se passou? – perguntou ele
pegando-me na mão.
-Nunca. Mas nunca mais voltes a olhar para mim
daquela maneira. Por favor.
-Porquê? – perguntou ele confuso. – Eu só estava a
tentar perceber porque é que nunca mais me falavas.
-A fúria nos teus olhos era palpável a quilómetros
de distância – foi tudo o que consegui dizer. Olhei para ele e continuei – E
agora, posso saber porque não me avisaste que ias sair com ela? Com a Swift?
-Eu não sabia – respondeu ele rapidamente. – O meu
agente disse que precisava de falar comigo urgentemente sobre um projecto, e
ela estava lá. Ficámos a conversar, mas mais nada.
-Só isso? – perguntei na dúvida.
-Eu seria incapaz de te trair – respondeu ele
profundamente. Prendeu o olhar nos meus olhos e ficámos por momentos a
olhar-nos. No entanto, eu tinha mais coisas para lhe perguntar.
-E porque não me avisaste que ias ter uma reunião
com o teu agente?
-Era para te contar na noite anterior mas distraí-me.
E quando acordei para te contar já tinhas ido.
-Hum… OK. E porque é que faltaste o dia todo?
-A reunião prolongou-se – respondeu ele.
-E porque não me telefonaste ou vieste ter comigo
quando chegaste?
-Porque supus que estivesses a gravar e quando
cheguei pensei que já tivesses ido dormir.
-Então… não me traíste nem a beijaste nem ela te
beijou nem se atirou a ti… nada?
-Nada meu amor – disse ele tirando um madeixa do meu
rosto. – Desculpa aquilo de há bocado.
-Do quê?
-Da minha fúria súbita. Eu estava tão… furioso
porque não compreendia porque me tinhas deixado de falar.
-Fui uma estúpida, não fui? – bufei.
-Estúpida não. Apenas… um pouco ciumenta – comentou
ele. – Nunca mais me voltes a fazer isto, ouviste? Quase morri por saber que
não me querias ver.
-Prometo.
Os nossos lábios tocaram-se levemente, mas
rapidamente aquele beijo se transformou em rápido, ofegante e quente.
-Tenho que ir tomar banho – disse dando-lhe um leve
beijo antes de saltar do sofá.
-Queres ajuda? – perguntou ele malicioso.
-É melhor despachar-me – disse-lhe.
Entrei na casa de banho, tomei um duche rápido,
sequei o cabelo, vesti umas calças jeans e uma camisola qualquer e saí com
Taylor.