Depois de uma noitada de Óscares (YAY, Leo DiCaprio
ganhou!) e de uma enxaqueca gigante no dia seguinte, lá fui eu para mais uma
noite de scriptwriting.
Desta vez, focámo-nos nas personagens e em como a
essência delas ainda por vezes perdida nestes dias. Muitas das vezes, para
filmes que requerem muita ação, o chamado “character arc”, ou seja, o
desenvolvimento do personagem, fica para segundo plano e muitas das vezes não
chega sequer aos ecrãs. Um dos exemplos que nos foi dado foi do James Bond, que
nos últimos filmes tem andado muito em volta da ação e durante muitos anos o
personagem nunca foi dignamente desenvolvido, mas neste último filme, Spectre, houve essa atenção ao
personagem (YAY para o filme, que venceu como melhor música original, Sam Smith
– “Writing’s on the Wall”).
Outra coisa altamente importante que aprendi é que o
escritor tem que ter atenção a tudo o que acontece, mesmo quando os personagens
não estão em cena – o que é que aquele personagem está a fazer? Um facto
interessante é que se falou dos “bad guys”, também conhecidos como os vilões
que hoje em dia já não conseguimos deixar de amar e que nos assustam tanto como
nos fazem admirá-los. Os escritores têm que se perguntar o que faz um vilão
quando ele não anda por aí a destruir o mundo e a lutar contra os heróis da
história. Será que ele toma café ou chá todas as manhãs?
Também tivemos alguns exercícios de visualização, um
dos quais eu gostei bastante em que tínhamos que entrar na casa de um dos
nossos personagens, ou um personagem favorito. Como não me apetecia ficar ali a
imaginar como seriam as casas dos meus personagens, auto transportei-me para a
casa do Barry Allen de The Flash e
confesso que gostei muito. Aquela sensação de que entramos na casa de alguém só
para procurar por fotografias dos personagens e dar um olhar mais atento ao
sítio onde elas vivem e que as tornam tão características e únicas.
E por fim, gostaria apenas de salientar que falar
com os personagens em voz alta é absolutamente normal. Todos os escritores o
fazem.
PS – na imagem, os personagens de Inside Out, vencedor de um Óscar e um
dos melhores filmes de sempre, na minha opinião. As emoções são a base dos
personagens, mas neste filme elas são as personagens.
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